Viva La Concepção!
Realmente este título tem algo de estranho, mas o escolhi como uma referência à música Viva La Vida, que até tem muito a ver com este texto... e pra dar uma mãozinha pra tradução automática. ;-) Se alguém quiser ouvir a música enquanto lê, aí está:
Não sei se alguém já pensou nisto, mas estamos sempre celebrando o nascimento e não a concepção. Ouvimos e dizemos "feliz aniversário", "parabéns" pelo título obtido ou negociação realizada... mas e o momento da concepção?
O momento da concepção talvez seja mais importante que aquele do nascimento. Pensemos no exemplo de Cristo, guia para muitos, mito para outros, mas, definitivamente, um personagem marcante na história do mundo. Segundo relatos deixados e que chegaram até nós, Seu nascimento foi celebrado por aqueles que acreditavam que ali estava o Salvador, e até hoje celebramos o Natal, mesmo que tenha este origens pagãs, predominantemente como uma festa Cristã, o nascimento do menino Jesus.
Mas como foi a história de Sua concepção? Ainda segundo aqueles relatos, compilados nos livros sagrados da Bíblia, foi um momento sutil, mas que causou uma espécie de revolução até o momento de Seu nascimento. Começa com a mudança drástica na vida dos recém-casados José e Maria, que segundo as tradições vigentes ainda não haviam tido relações sexuais. Como poderia José acreditar em Maria, grávida, dizendo-se inocente e ainda casta? Qualquer pessoa que já tenha se apaixonado sabe que o ciúme falaria mais alto, que uma notícia assim seria difícil de aceitar e, especialmente naquele contexto histórico, poderia custar a vida dela, que é vista por muitos como a mãe de Deus. Mesmo tendo sido a notícia da concepção preservada e protegida, simples rumores que foram se espalhando constituíram ameaça suficiente ao Rei Herodes, culminando com sua ordem para matar todas as crianças recém-nascidas na época, naquela região.
Não é apenas na história de Cristo que a concepção anda tão próxima da morte. Se pensarmos em nosso Universo, na história que se conhece do lugar onde vivemos, não poderia haver algo mais verdadeiro. Podemos falar da vida de uma estrela, de seu nascimento até sua morte. Mas o que possibilita o nascimento de uma estrela? A morte de outras, que espalha pelo Universo matéria suficiente para conceber outras estrelas e, talvez junto delas, outros planetas, quiçá algum como a Terra.
A vida de uma estrela é uma eterna briga entre pressão e gravidade. A gravidade que surge da união dos átomos que formam a estrela e a pressão resultante dos processos químicos que começam a acontecer entre eles, processo que dura muito mais que séculos ou milênios... dura bilhões de anos. Mas como a matéria não é infinita, essa vida tem um fim e este pode ser um dos acontecimentos mais maravilhosos de nosso Universo. A morte de muitas estrelas se dá por uma violenta explosão, espalhando grande parte de sua matéria pelo Universo. Este lindo momento de morte dessas estrelas é chamado de Supernova, fonte de vida para novas estrelas, para a concepção de novos seres celestes. Talvez até mesmo a concepção da vida como conhecemos esteja ligada a esse incrível evento.
Colocando os pés no chão, pensando em coisas mais próximas de nós, vemos ainda a superior importância da concepção sobre o nascimento de muitas de nossas obras. O lançamento de um CD de músicas é mesmo uma festa: turnês infindáveis, shows hiper lucrativos, entrevistas, fama... Mas algo disso existiria se antes alguém não tivesse se debruçado sobre uma partitura ou dormido e acordado com seu instrumento, andando sempre com papel e caneta ou um computador, escrevendo, experimentando, compondo uma música? Esse é um momento muito glorioso da música, quando ideias são postas no papel, na voz e nos dedos que tocam um instrumento, unidas para conceber aquilo que vai encantar gerações, mexer com a vida de muita gente.
Assim é também em outras artes. Seja uma escultura, pintura, uma performance ou quando se escreve um texto, desde livros e poesias até um mero devaneio, como este. O momento que nos empolga, tira o sono, faz brilhar os olhos é geralmente quando surgem as ideias, que se amarram com outras, pedem por mais algumas... é a concepção do texto, um embrião prestes a explodir em milhares de palavras e sensações.
O mesmo posso dizer da matemática, por exemplo. Fazer uma conta e usar uma fórmula até uma calculadora consegue, mas certos resultados que obtemos agora com um simples apertar do botão foram perseguidos por anos, décadas, séculos, até alguém conceber a teoria correta para a resolução daquele problema.
Também podemos ver assim a computação. Pode gerar um grande alvoroço o lançamento de um novo equipamento ou programa, a divulgação de um novo site ou serviço na internet, mas o momento revolucionário geralmente ocorre semanas, meses, talvez até anos antes, com a concepção de uma grande ideia ou criação de novas teorias e sua realização com infindáveis noites de programação.
Então, viva a concepção!
Mas o que vem depois dela? Nós geralmente temos que esperar 9 meses da concepção ao nascimento, mas cada processo leva um tempo, durante o qual muita coisa pode acontecer.
Assim será então com este blog: hoje está sendo concebido; vejamos o que ocorre até a data do nascimento...


Caí aqui por acaso ou destino ou porque um passarinho me contou ;-)
ResponderExcluirAmei seu texto, me fez querer refletir mais sobre a ideia que tinha para transformar em caracteres hoje no meu blog. Gosto da magia dessas conexões inesperadas...
Felicidades!
Rio